Génese

Gruta do Carvão | Historial | Génese | Visitas

Dada a natureza vulcânica do Arquipélago dos Açores e a presença de escoadas lávicas de natureza basáltica, as ilhas dos Açores apresentam um diversificado património espeleológico. São conhecidas cerca de 250 cavidades naturais nos Açores, correspondendo a muitas dezenas de quilómetros de caminhos subterrâneos, onde se escondem segredos e estranhas formas de vida.

A Gruta do Carvão constitui o maior tubo lávico conhecido da Ilha de S. Miguel (1668 metros) e uma das mais notáveis cavidades vulcânicas do arquipélago dos Açores

O processo genético dos tubos lávicos inicia-se quando escoadas lávicas fluídas descem os declives do terreno, com arrefecimento das suas zonas superficiais e laterais, o que origina uma crosta mais ou menos sólida, debaixo da qual continua a escorrer lava ainda quente (1).
Numa fase seguinte, esse nível de lava incandescente pode sofrer um abaixamento, devido a uma diminuição nas emissões do vulcão, surgindo, assim, um vazio sob a crosta superficial já solidificada (2).
Quando termina a erupção vulcânica, fica formada o tubo lávico, a qual se pode desenvolver por alguns metros ou quilómetros de extensão (3). A partir deste período podem surgir na cavidade diversas formas de vida. Podem-se formar skylights, devido a abatimentos do tecto do túnel (4).

Esquema de formação de tubo lávico

Representação esquemática da formação de um tubo lávico

A Gruta do Carvão possui uma grande variedade de estruturas geológicas, típicas de um vulcanismo efusivo, constituindo um importante monumento espeleológico.

Do tecto desta formação pendem numerosas estalactites quer de origem lávica, que apresentam geralmente uma forma cónica e superfície lisa e que resultam da solidificação de pingos de lava, quer secundárias de forma irregular, de cor esbranquiçada e extremamente frágeis, resultantes da alteração e acumulação a partir das águas de escorrência de superfície que se infiltraram na gruta. Estas águas são responsáveis também por fenómenos de oxidação das rochas basálticas que dão forma à Gruta do Carvão, conferindo-lhe em muitos locais tonalidades avermelhadas ou alaranjadas junto às fendas e outros locais de infiltração.

estalactite

Estalactites lávicas

Estalactites secundárias (sílica)

Do chão surgem estalagmites, estruturas que resultam da sobreposição de vários pingos de lava que fluem do tecto.

Estalagmite (com estalactite)

Ao longo de vários troços é possível observar bancadas laterais ou balcões, que são autênticos testemunhos da variação dos níveis de lava fluida que percorreram o interior do túnel ao longo da erupção que o originou ou por sucessíveis erupções cujas lavas por este túnel escorreram, por vezes estas bancadas desenvolvem-se e unem-se formando uma única estrutura, designada de ponte lávica. Igualmente resultantes do fluxo da lava no interior da gruta, são as estrias que estão presentes principalmente em locais côncavos nos sectores curvilíneos existentes no tubo lávico.

Bancadas laterais ou balcões

É de salientar as estruturas conhecidas como “bolhas de gás” que são correspondentes a secções da parede da gruta que “explodiram” debaixo da acção dos gases acumulados no seu interior, bem como a presença de fendas nas paredes e tecto da gruta, resultantes na sua maioria do arrefecimento da escoada lávica.

Bolha de gás

Por vezes os fragmentos de rocha, que poderão ser resultantes do colapso do tecto, são envolvidos e agregados pela dinâmica da escoada lávica, originando estruturas designadas de lava balls.

 

lava ball

Lava Ball

O chão da gruta é composto principalmente por escoadas lávicas do tipo aa (biscoitos), apresentando uma superfície muito irregular, espinhosa e áspera, de fragmentos soltos e escoriáceos de dimensões variadas (designados por clinker), pontualmente existem pequenas áreas de superfície contínua, lisa, ou ligeiramente ondulada, de lavas pahoehoe (lajidos), características de erupção basáltica e efusiva.

Estas estruturas vulcânicas são importantes no conhecimento, interpretação e afirmam a importância desta cavidade no conhecimento e interpretação do vulcanismo basáltico da Ilha de S. Miguel.

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