Grutas e Algares

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As cavidades vulcânicas, não sendo fenómenos geológicos muito comuns, encontram-se em locais onde o magma ascendeu à superfície, como por exemplo nos Açores, Canárias, Islândia, Itália, Estados Unidos, Japão, Quénia e Coreia.

Podem-se considerar dois tipos de cavidades vulcânicas:

As Grutas Lávicas, cuja sua formação se esquematiza do seguinte modo:

gruta

  1. Progressão da escoada ao longo da vertente, arrefecimento da parte superficial e lateral da escoada com crosta mais ou menos solidificada, escoamento da lava fluida no seu interior.
  2. Diminuição das emissões a partir da boca eruptiva, abaixamento do nível de lava no interior do vulcão, formação de um vazio sob a crosta superficial já solidificada.
  3. Final da erupção vulcânica formação do túnel ou gruta lávica, abatimento do tecto do túnel e formação de skylights ou clarabóias.
  4. Novos abatimentos do tecto do túnel e formação ou aumentos das clarabóias colonização dos campos lávicos por plantas especialmente junto às aberturas.

 Os Algares Vulcânicos, por sua vez, podem ser esquematizados da seguinte forma:

 

algares

 

  1. Ascenção do magma ao longo do sistema de condutas de alimentação do vulcão, saída de lava a partir da boca ou fissura eruptiva.
  2. Abertura de nova boca eruptiva, a cota mais baixa, ou diminuição nas emissões a partir de profundidade, drenagem lateral e/ou em profundidade do magma e esvaziamento parcial das condutas de alimentação.
  3. Final da erupção vulcânica com arrefecimento e solidificação das condutas e dos derrames lávicos, formação do algar vulcânico e eventual ocorrência de colapso da parede.
  4. Colapso das paredes do algar com incremento das suas dimensões e formação de depósitos de gravidade (e.g. derrocadas) no chão do algar. Colonização de plantas dos campos lávicos e do topo/abertura do algar.

Dada a natureza vulcânica do Arquipélago e a presença de escoadas lávicas de natureza basáltica, as ilhas dos Açores apresentam um diversificado património espeleológico. São conhecidas cerca de 250 cavidades naturais nos Açores, correspondendo a muitas dezenas de quilómetros de caminhos subterrâneos, onde se escondem segredos e estranhas formas de vida. Estas cavidades são de diferentes tipos: grutas e algares vulcânicos, fendas e grutas de erosão, ocorrendo, por vezes, a combinação de formas.

O número mais significativo de cavidades está distribuído pelas ilhas Pico e Terceira, embora sejam conhecidas estas estruturas subterrâneas nas restantes ilhas.

É na ilha do Pico que se pode encontrar o maior número de espécie de insectos cavernícolas, autóctones, conhecidas nos Açores. Os maiores túneis lávicos dos Açores são a Gruta das Torres na ilha do Pico e a Gruta dos Balcões na ilha Terceira com 5150 m e 4421 m respectivamente. O Algar do Morro Pelado e as Bocas do Fogo, na ilha de S. Jorge, com 140 m e 120 m, respectivamente, são os algares que apresentam maiores profundidades.

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